“E nós que amávamos tanto a Revolução”.

Foto de rastaSou eu na foto, em 1984. Dando entrevista! Estava em um Congresso Estudantil Secundarista realizado em Campos do Jordão. Foi tirada por um jornalista que cobria o evento. No ano seguinte encontrei com ele em outro Congresso, dessa vez em Juiz de Fora. Ganhei a foto de presente há 25 anos.

Que visual!!!. Na época, usar uma “pochete” era considerado algo extremamente ousado, libertário até. Usá-la atravessada no peito, pode-se dizer, era como fantasiar… uma cartucheira cheia de balas a municiar a arma. Foi um tempo em que, de maneira firme se dizia que a Ditadura Militar apenas poderia ser derrubada com o estabelecimento de outra, a do “proletariado”.

A foto. A foto estampa não apenas o meu rosto, mas de muitas outras pessoas que convictamente acreditavam nisso.

Algumas delas abandonaram essas idéias e viraram deputados, Prefeitos, Presidentes…

Para lembrar mais fatos (com ou sem fotos) em 1989 vivemos no Brasil a eleição Presidencial, a primeira pós ditadura. Collor foi eleito e teve como um de seus Ministros – o do Trabalho – Antônio Rogério Magri (aquele da célebre frase “cadela também é gente!”).

Também em 1989 ocorreu a eleição da nova Diretoria do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. Quem encabeçava a chapa de situação desse Sindicato, meses antes da eleição presidencial era ninguém menos que o Rogério Magri. Sem dúvida Magri está entre os fundadores do que se chamou na época de “Sindicalismo de Resultados”.

Eu, nesse mesmo ano, já decorridos cinco anos da foto de Campos do Jordão, por conta da atuação juvenil no movimento estudantil e operário, fui cair, meio de pára-quedas, como um Forest Gump na Chapa 2 do Sindicato dos Eletricitários, chapa de oposição ao Magri.

Luta dura! Ganhamos a eleição em primeiro escrutínio. Comemoramos muito. E estava líquido e certo ganharíamos o “segundo escrutínio”. Porém, para surpresa geral da nação, ao final, acabamos perdendo a eleição sindical cuja apuração, para nossa “segurança” se deu no Batalhão Tobias de Aguiar, também conhecido como “ROTA” Nunca passou pela cabeça de alguém que pudesse ter ocorrido alguma irregularidade no processo. Qualquer dia pergunto ao Magri.

Continuando a divagar, algumas delas abandonaram essas idéias e viraram deputados, Prefeitos, Presidentes…

2009. Seria interessante saber como estão ou o que fazendo todos os membros da chapa de oposição da qual participei.

Alguns eu sei. Valdemir Garreta (carinhosamente alcunhado pela molecada de 30 anos atrás de “Geléia) é hoje um respeitado membro do diretório Nacional do PT, se não me engano, é um dos principais articuladores de Marta Suplicy. Denilvo Morais, que concorreu ao cargo de Presidente na chapa 2, tive notícias de que é assessor da Dilma.

Sei também de pelo menos um membro da chapa de situação, que apoiava o Magri, e é também da região Oeste assim como eu. Salim Reis, hoje vice-prefeito de Carapicuíba, pelo DEM, em coligação com o PT.

Olha aí a gente fazendo a história do Brasil.

E tem espaço para mais divagações e indagações. O que será que eu estava falando na entrevista daquela foto?!

Marcos Agostinho Silva
MAS Pesquisa

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